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Xadrez Bélico
Vista aérea baixa das ruínas da abadia no topo do Monte Cassino: um paredão de pedra ainda de pé à direita, entulho no resto do cume e montanhas ao fundo As ruínas da abadia de Monte Cassino vistas de um avião da RAF em maio de 1944. O prédio, que os alemães não ocupavam antes do bombardeio de 15 de fevereiro, virou posição paraquedista até 18 de maio. — F/O Baker, fotógrafo oficial da Royal Air Force · Imperial War Museums, C 4363 · Domínio público
Episódio 14 · Segunda Guerra Mundial, 1944

Monte Cassino

17 de janeiro a 18 de maio de 1944 · Cassino, Lácio, Itália: o Monte Cassino e a abadia beneditina, os vales do Rapido, do Liri e do Garigliano, e os Montes Auruncos ao sul

Por que foram precisos quatro assaltos contra a mesma montanha — e o que mudou no último?

Em janeiro de 1944, a estrada de Nápoles a Roma entra no vale do Liri por um gargalo: o rio Rapido embaixo, a cidade de Cassino ao pé e, por cima, o Monte Cassino com a abadia beneditina no topo. É a Linha Gustav, e os Aliados a atacam quatro vezes em quatro meses.

Os três primeiros assaltos falham diante do mesmo ponto. O mais famoso lance da partida, o bombardeio da abadia em 15 de fevereiro, destrói um prédio que os alemães não ocupavam. O quarto assalto, em maio, muda o tabuleiro inteiro — e a ruptura vem pelo canto que nem o comandante aliado tratava como principal.

FichaFicha da batalha

Aliados — comandoHarold Alexander (Exércitos Aliados na Itália); Mark W. Clark (5º Exército americano); Oliver Leese (8º Exército britânico); Bernard Freyberg (Corpo Neozelandês, fevereiro e março); Alphonse Juin (Corpo Expedicionário Francês); Władysław Anders (II Corpo polonês)2+ fontes
Alemanha — comandoAlbert Kesselring (teatro da Itália); Heinrich von Vietinghoff (10º Exército); Fridolin von Senger und Etterlin (XIV Corpo Panzer); Richard Heidrich (1ª Divisão Paraquedista)2+ fontes
Terrenoo Monte Cassino domina a entrada do vale do Liri e a Rodovia 6, única passagem larga para Roma; à frente, os rios Rapido e Gari, que transbordam no inverno; ao sul do Liri, os Montes Auruncos, sem estradas2+ fontes
Objetivoromper a Linha Gustav e abrir a Rodovia 6 para Roma; em janeiro, também apoiar o desembarque de Anzio, de 22 de janeiro de 19442+ fontes
Primeira batalhajaneiro e início de fevereiro: o X Corpo britânico atravessa o Garigliano em 17 de janeiro; a 36ª Divisão americana é destroçada no Rapido de 20 a 22; a 34ª chega a cerca de 400 jardas da abadia e para; o corpo francês avança ao norte sem reservasDatas de enquadramento: 17 de janeiro a 11 de fevereiro numa conta; 12 de janeiro a 9 de fevereiro na do Ministério da Defesa britânico.2+ fontes
Segunda batalha15 a 18 de fevereiro: bombardeio da abadia e ataques da 4ª Divisão indiana à montanha e da 2ª Divisão neozelandesa à estação de Cassino, repelidos2+ fontes
Terceira batalha15 a 23 de março: a cidade de Cassino é arrasada do ar; neozelandeses e indianos tomam parte da cidade, o Castle Hill e o Hangman's Hill, mas não a abadia2+ fontes
Quarta batalhaOperação Diadem, a partir das 23:00 de 11 de maio: os dois exércitos aliados atacam numa frente de cerca de 30 km entre Cassino e o mar; o Monte Maio cai em 13 de maio; a abadia é ocupada pelos poloneses na manhã de 182+ fontes
Forças em maio240.000 homens, 1.900 tanques e 4.000 aviões aliados contra cerca de 140.000 alemães, numa conta; o número de divisões aliadas vai de 13 a 20 conforme a basediverge
A abadiabombardeada em 15 de fevereiro de 1944 por 142 B-17, 47 B-25 e 40 B-26; 576 toneladas na história oficial da Força Aérea americana, quase 600 na do Exército, 1.150 na conta mais repetida. Não estava ocupada por tropas alemãs; os paraquedistas se instalaram nas ruínas a partir de 17 de fevereirodiverge
Civis na abadiaentre cerca de 115 e 230 mortos no bombardeio, conforme a conta; nenhum soldado alemão morto lá dentro foi registradodiverge
Baixas polonesas923 mortos, 2.931 feridos e 345 desaparecidos, na conta polonesa mais citada; o IPN arredonda para mais de 900 mortos e cerca de 3.000 feridos2+ fontes
Baixas totaismais de 105.000 aliados e pelo menos 80.000 alemães contando as quatro batalhas, Anzio e Roma (Matthew Parker); só a Diadem, 43.746 aliados e 51.754 alemães (James Holland); outras contas são menoresdiverge
Resultadovitória aliada: a Linha Gustav cai em maio; a Linha Hitler, rebatizada Linha Senger, cede em 25 de maio2+ fontes
O depoisClark vira o 6º Corpo para Roma em vez de fechar a retirada alemã em Valmontone; Roma cai em 4 de junho de 1944, dois dias antes da Normandia, e o 10º Exército alemão escapa para o norte2+ fontes
2+ fontes Confirmado em duas ou mais fontes independentes.1 fonte Uma fonte só; o texto diz qual.diverge As fontes discordam; mostramos as versões e não escolhemos.sem registro Ninguém registrou. Dizemos isso em vez de inventar.

Lance 1O tabuleiro: um gargalo com um mosteiro em cima

De Nápoles a Roma há duas estradas. A Via Ápia, pela costa, esbarra nos pântanos Pontinos, que os alemães tinham alagado. A Rodovia 6, a Via Casilina, entra pelo vale do Liri — a única passagem larga para blindados. Na boca do vale, o rio Rapido corre diante da cidade de Cassino, e por cima dela sobe o Monte Cassino, esporão do maciço do Monte Cairo, com a abadia beneditina no topo. Ao sul do Liri, os Montes Auruncos fecham o desvio até o mar.

Foi aí que Albert Kesselring armou a Linha Gustav, a mais forte das posições alemãs ao sul de Roma. O setor era do XIV Corpo Panzer de Fridolin von Senger und Etterlin. O 5º Exército americano de Mark W. Clark chegou diante dela em 15 de janeiro de 1944, depois de seis semanas de combate e cerca de 16.000 baixas para vencer as últimas posições da linha anterior.

E chegou com pressa emprestada. As lanchas de desembarque só ficariam no Mediterrâneo até o início de fevereiro, porque iam para a invasão da França. O desembarque de Anzio, atrás das linhas alemãs, foi marcado para 22 de janeiro, e o ataque à Gustav para três dias antes, para atrair as reservas alemãs para o sul. Cassino começou como peça de apoio de outra jogada.

FIG. 02Cassino, o vale do Liri e os Montes Auruncos na carta Itália 1:100.000, folha 160, do War Office britânico (2ª edição, 1943), reproduzida pelo Army Map Service. No alto, a porta da frente: Cassino, o Rapido e a Rodovia 6. Embaixo, o caminho do quarto assalto: Monte Majo, Ausonia, Esperia.Geographical Section, General Staff (GSGS 4164) · U.S. Army Map Service · Perry-Castañeda Library, Universidade do Texas · Domínio público

Lance 2Primeiro assalto: o rio, a cidade, a montanha

Em 17 de janeiro o X Corpo britânico atravessou o Garigliano perto da costa e assustou Senger o bastante para Kesselring mandar duas divisões de Roma, que estabilizaram a frente até 21 de janeiro. Em 20 de janeiro, três horas depois do pôr do sol, a 36ª Divisão americana tentou atravessar o rio Gari em Sant'Angelo, a jusante de Cassino, sem preparação e sem conseguir pôr um blindado do outro lado. A 15ª Divisão Panzergrenadier a esperava entrincheirada.

Em 48 horas a divisão teve 1.681 baixas nas unidades orgânicas, segundo a história oficial do Exército americano — 143 mortos, 663 feridos, 875 desaparecidos, sem contar as unidades anexadas; outra conta chega a 2.100. As perdas alemãs foram desprezíveis. O episódio virou objeto de inquérito no Congresso americano depois da guerra.

Ao norte da cidade, a 34ª Divisão atravessou o Rapido onde ele dava vau e subiu a montanha. Chegou a cerca de 400 jardas da abadia e parou diante do Ponto 593, defendido por paraquedistas. À direita, o Corpo Expedicionário Francês de Alphonse Juin tomou o Belvedere e pediu reservas para contornar Cassino pelo norte; a única reserva disponível foi para a 34ª. Em 11 de fevereiro os americanos foram retirados, esgotados.

FIG. 03Uma equipe da Companhia B do 2º Batalhão de Morteiros Químicos americano arrasta um morteiro pelo terreno da área de Cassino, em 6 de março de 1944. Na montanha, munição e água subiam a mula ou nas costas.Paris, 196th Signal Photo Company · U.S. Army Signal Corps, NARA SC 336793 · Domínio público

Lance 3Segundo assalto: o bombardeio de um prédio vazio

Com Anzio sob contra-ataque, Cassino deixou de ser o ataque que Anzio ajudaria e passou a ser o ataque que tinha de socorrer Anzio. Entrou o Corpo Neozelandês de Bernard Freyberg, com a 2ª Divisão neozelandesa e a 4ª Divisão indiana. O comando da 4ª indiana pediu que a abadia fosse demolida antes do ataque: as paredes tinham 150 pés de altura e 10 de espessura, e o general Francis Tuker argumentava que, ocupada ou não, ela seria um abrigo inexpugnável. Clark e seus comandantes de corpo eram contra; Alexander decidiu a favor.

Em 1943, Kesselring tinha assegurado à Igreja que tropas alemãs não entrariam no prédio, e pôs policiais no portão. O monte em volta, porém, estava fortificado até perto do muro: postos de observação, armas e um depósito de munição numa gruta junto à parede. Quem estava embaixo via fogo vindo daquela direção e não tinha como distinguir o muro das posições a 50 ou 200 jardas dele.

Na manhã de 15 de fevereiro, 142 B-17, 47 B-25 e 40 B-26 bombardearam a abadia. A história oficial da Força Aérea americana registra 576 toneladas; a do Exército, quase 600; a cifra mais repetida, 1.150. Dentro estavam o abade Gregorio Diamare, alguns monges e civis refugiados do vale; morreram entre cerca de 115 e 230, conforme a conta. Nenhum soldado alemão morto lá dentro foi registrado. Em 17 de fevereiro, depois de o abade descer com os sobreviventes, os paraquedistas alemães se instalaram nas ruínas.

O ataque terrestre não estava pronto: as tropas indianas tinham assumido as posições dois dias antes, e as posições alemãs no Ponto 593, acima e atrás da abadia, ficaram intactas. Os ataques de 15 a 18 de fevereiro falharam, e duas companhias maori que tomaram a estação de Cassino foram expulsas por tanques. O lance mais famoso da partida deu ao defensor uma posição melhor do que ele tinha antes.

FIG. 04Infantaria da 2ª Divisão Marroquina do Corpo Expedicionário Francês recebe instruções antes de render a 34ª Divisão americana perto de Cassino, no inverno de 1943–44. Em 13 de maio de 1944, foi essa divisão que tomou o Monte Maio.Sargento Lambert · Imperial War Museums, NA 9734 · Domínio público

Lance 4Terceiro assalto: a cidade arrasada

Para março, Freyberg trocou o alvo: a cidade de Cassino, já sem civis, seria arrasada do ar e a infantaria entraria logo atrás. O ataque precisava de três dias secos e foi adiado 21 dias seguidos. Em 15 de março, das 8:30 ao meio-dia, a cidade foi bombardeada. A própria história oficial da Força Aérea anota que nenhuma fonte concorda sobre a tonelagem: as cifras vão de 988 a 1.463 toneladas. A abadia não foi alvo.

A infantaria neozelandesa entrou devagar; os tanques esbarraram nas crateras; à noite a chuva voltou e encheu os buracos. Os paraquedistas saíram de abrigos e de um túnel sob a cidade e se reorganizaram nas ruínas. Gurkhas chegaram ao Hangman's Hill, a cerca de 250 jardas da abadia, e os neozelandeses tomaram a estação, mas em 23 de março, com as duas divisões exaustas, Freyberg encerrou a batalha.

Três assaltos, o mesmo padrão: o mesmo ponto de ataque — o rio, a cidade, o maciço da abadia —, onde a defesa era mais densa; uma ou duas divisões de cada vez; inverno; e a pressa de outra frente. O bombardeio não substituiu o lance que faltava.

FIG. 05A cidade de Cassino em 18 de maio de 1944, dia em que a abadia foi ocupada: um Sherman destruído junto a uma ponte Bailey, com o Monastery Ridge e o Castle Hill ao fundo. Fotografia em cores original do War Office, não colorizada.Capitão Tanner, fotógrafo oficial do War Office · Imperial War Museums, TR 1799 · Domínio público

Lance 5Quarto assalto: o tabuleiro inteiro

Depois de fevereiro, Alexander concluiu que precisava de pelo menos três homens de infantaria para cada defensor no ponto de ruptura. Trouxe o 8º Exército do Adriático para o lado oeste dos Apeninos, em pequenas unidades e à noite, num movimento de dois meses. Uma fraude, a Operação Nunton, simulou o preparo de um novo desembarque ao norte de Roma, e Kesselring segurou as reservas no litoral. No segundo dia da batalha ele ainda calculava seis divisões aliadas contra as suas quatro na frente de Cassino; eram treze.

O comando alemão nem estava no lugar. Quando o ataque começou, Vietinghoff tinha acabado de partir para a Alemanha para receber uma condecoração, Senger estava numa licença de 30 dias, e o chefe de estado-maior de Kesselring convalescia. Às 23:00 de 11 de maio, a artilharia abriu em toda a frente, e os dois exércitos aliados atacaram juntos, numa frente de cerca de 30 km entre Cassino e o mar.

No vale do Liri, o XIII Corpo britânico atravessou o Rapido, e os engenheiros da 8ª Divisão indiana lançaram uma ponte que deixou passar os tanques canadenses — o que tinha faltado à 36ª em janeiro. Na montanha, o II Corpo polonês de Władysław Anders atacou a 1ª Divisão Paraquedista à 1:00 de 12 de maio e foi repelido; segundo a história oficial americana, quase metade dos atacantes foi morta ou ferida.

A ruptura veio pelo sul. Nos Montes Auruncos, o setor do Monte Maio era segurado pela 71ª Divisão alemã, cerca de 10.000 homens, contra um corpo francês de cerca de 90.000, segundo a história oficial americana. A história oficial americana anota que Kesselring parecia contar com a própria montanha como barreira naquele setor. Em 13 de maio os marroquinos tomaram o Monte Feuci, interceptaram a ordem alemã de acelerar a retirada geral e ocuparam o Monte Maio à tarde. A Gustav estava rompida num dos pontos mais fundos e mais fracamente defendidos. Só então Kesselring percebeu que o perigo era a frente sul, e não o litoral. Nos dias seguintes, os goumiers avançaram por montanhas que ninguém defendia, porque não se julgava possível atravessá-las, e flanquearam o vale do Liri.

O lance que abriu a Gustav tem outro lado, e ele não pode ficar fora. Depois da ruptura, soldados marroquinos do corpo francês cometeram estupros e assassinatos de civis nas aldeias da Ciociaria, no sul do Lácio, crimes que os italianos chamam de marocchinate. O número de vítimas é disputado: duas a três mil mulheres, na estimativa do Ministério da Defesa italiano de 1997, e de doze mil a dezenas de milhares, nas contas de associações de vítimas. Quantos responsáveis foram punidos também é disputado: fontes francesas registram julgamentos e execuções, e fontes italianas falam em impunidade quase completa.

FIG. 06As bandeiras polonesa e britânica sobre as ruínas da abadia, em maio de 1944. A polonesa foi içada às 10:20 de 18 de maio por uma patrulha do 12º Regimento de Lanceiros da Podólia.Autor não identificado · Arquivo Fotográfico Tadeusz Szumański, Arquivo Digital Nacional da Polônia (NAC 24-452-15) · Domínio público

Lance 6A abadia cai por último

Em 17 de maio, com a 78ª Divisão britânica cortando a Rodovia 6 a sudoeste de Cassino, os poloneses atacaram de novo e tomaram a crista ao norte da abadia. Só restavam duas rotas de fuga. Na noite de 17, Kesselring mandou o 10º Exército retirar a 1ª Divisão Paraquedista de Cassino; a mensagem foi decifrada pelos britânicos em minutos.

Na manhã de 18 de maio, uma patrulha do 12º Regimento de Lanceiros da Podólia chegou às ruínas e encontrou cerca de trinta feridos alemães que não puderam ser levados. Às 10:20 a bandeira polonesa foi içada sobre a abadia, e a britânica logo depois. Ao meio-dia, o cabo Emil Czech tocou o hejnał de Cracóvia. O II Corpo polonês perdeu mais de 900 mortos e cerca de 3.000 feridos na montanha.

A abadia não caiu de frente. Caiu quando o resto do tabuleiro tornou a montanha indefensável: o vale aberto pelos britânicos e canadenses, os Auruncos abertos pelos franceses, e os poloneses prendendo no lugar, a um preço altíssimo, a melhor divisão alemã do setor. A Linha Hitler, rebatizada Linha Senger, cedeu em 25 de maio.

O último lance foi de Clark. Alexander queria que o 6º Corpo, saindo de Anzio, fechasse a retirada alemã em Valmontone; Clark o virou para Roma. A cidade caiu em 4 de junho de 1944, dois dias antes da Normandia, e o 10º Exército alemão escapou para o norte. O general Lucian Truscott escreveu depois que, sem a mudança, os objetivos de Anzio teriam sido alcançados por inteiro; o motivo de Clark continua em debate.

VereditoPor que deu no que deu

Os três primeiros assaltos falharam porque atacaram o ponto em que o defensor era mais forte — o rio, a cidade e o maciço da abadia —, com pouca gente de cada vez, no inverno e com a pressa emprestada de Anzio. O bombardeio de 15 de fevereiro tentou resolver com explosivo o que era problema de plano, e destruiu um prédio que os alemães não ocupavam.

O quarto deu certo porque mudou de jogo: o atacante passou a obrigar o defensor a guardar o tabuleiro inteiro, escondeu onde estava a força e rompeu pelo canto que o defensor tinha deixado à própria montanha. Em termos de xadrez, é a casa forte que nunca se toma de frente: ela cai quando as peças em volta são trocadas e ela fica sozinha.

Nada disso diminui quem subiu a montanha. Os poloneses, os indianos, os neozelandeses e os americanos de janeiro pagaram pelo lance que não funcionava; os poloneses, em maio, pagaram para que o lance que funcionava tivesse tempo de acontecer.

MitosO que se conta e o que o registro mostra

  • O que se conta

    A abadia era uma fortaleza alemã, e por isso foi bombardeada.

    O que o registro mostra

    Kesselring assegurou à Igreja, em dezembro de 1943, que tropas alemãs não entrariam no prédio, e pôs policiais no portão; o monte em volta, sim, estava fortificado até perto do muro. O serviço de contrainformação do 5º Exército verificou em 26 de fevereiro de 1944 que a abadia estava desocupada, a história oficial britânica fala em evidência abundante de nenhum uso militar antes do bombardeio, e o Exército americano corrigiu o próprio registro em 1969. Os paraquedistas ocuparam as ruínas a partir de 17 de fevereiro.

  • O que se conta

    O bombardeio da abadia abriu caminho para o ataque.

    O que o registro mostra

    O ataque terrestre não estava pronto em 15 de fevereiro, e as posições alemãs no Ponto 593, acima e atrás da abadia, ficaram intactas. Os ataques de 15 a 18 de fevereiro falharam, e as ruínas deram ao defensor uma posição melhor que o prédio inteiro.

  • O que se conta

    Foram 1.150 toneladas de bombas sobre a abadia.

    O que o registro mostra

    É a cifra mais repetida. As histórias oficiais americanas dão outra: 576 toneladas na da Força Aérea, quase 600 na do Exército, lançadas por 142 bombardeiros pesados e pelos médios ao longo do dia.

  • O que se conta

    Os poloneses tomaram a abadia num assalto final.

    O que o registro mostra

    Os poloneses atacaram em 12 e 17 de maio e foram repelidos com perdas pesadas no primeiro assalto, prendendo no lugar a melhor divisão alemã do setor. Com o vale do Liri e os Montes Auruncos abertos, Kesselring mandou evacuar Cassino na noite de 17 de maio; na manhã de 18, a patrulha polonesa encontrou nas ruínas cerca de trinta feridos alemães e içou a bandeira às 10:20.

  • O que se conta

    A FEB lutou em Monte Cassino.

    O que o registro mostra

    Não lutou. O primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira desembarcou em Nápoles em 16 de julho de 1944, dois meses depois da queda da abadia; Monte Castello é de fevereiro de 1945.

PerguntasPerguntas frequentes

Quem venceu a Batalha de Monte Cassino?

Venceram os Aliados, no quarto assalto. A Linha Gustav se rompeu em 13 de maio de 1944 nos Montes Auruncos, com a queda do Monte Maio, e a abadia foi ocupada pelos poloneses na manhã de 18 de maio, depois de os alemães evacuarem Cassino.

O Brasil participou da Batalha de Monte Cassino?

Não. O primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira desembarcou em Nápoles em 16 de julho de 1944, dois meses depois da queda da abadia. A batalha da FEB é Monte Castello, de fevereiro de 1945.

Por que a abadia de Monte Cassino foi bombardeada?

O comando da 4ª Divisão indiana pediu a demolição, argumentando que, ocupada ou não, ela seria um abrigo inexpugnável, e Alexander decidiu a favor. Mas a abadia não estava ocupada por tropas alemãs: os paraquedistas só se instalaram nas ruínas a partir de 17 de fevereiro de 1944.

Quantos soldados morreram na Batalha de Monte Cassino?

As contas divergem e somam baixas, não só mortos: mais de 105.000 aliados e pelo menos 80.000 alemães, contando as quatro batalhas, Anzio e Roma, segundo Matthew Parker; só na ofensiva de maio, 43.746 aliados e 51.754 alemães, segundo James Holland. Os poloneses perderam 923 mortos.

Quanto tempo durou a Batalha de Monte Cassino?

Cerca de quatro meses, de 17 de janeiro a 18 de maio de 1944. Nesse período os Aliados atacaram a Linha Gustav em Cassino quatro vezes; os três primeiros assaltos falharam diante do mesmo ponto.

Episódio 14 · estreia 24 de dezembro de 2026

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FontesFontes

  1. Martin Blumenson, Salerno to Cassino, U.S. Army in World War II, Center of Military History, 1969 — caps. XIX e XXIII. — ibiblio.org
  2. Ernest F. Fisher Jr., Cassino to the Alps, U.S. Army in World War II, Center of Military History, 1977 — caps. 1 a 4. — ibiblio.org
  3. W. F. Craven e J. L. Cate (orgs.), The Army Air Forces in World War II, vol. III, cap. 10, 1951. — ibiblio.org
  4. Ministério da Defesa do Reino Unido, The Battles for Monte Cassino, 12 January – 5 June 1944, 2004. — assets.publishing.service.gov.uk
  5. Instituto da Memória Nacional (IPN), 81. rocznica zdobycia Monte Cassino przez 2. Korpus Polski, 2025. — ipn.gov.pl
  6. dzieje.pl, 74 lata temu żołnierze 2. Korpusu Polskiego zdobyli Monte Cassino. — dzieje.pl
  7. Museu Virtual da FEB, Exército Brasileiro — linha do tempo de 1944. — museuvirtualdafeb.eb.mil.br
  8. Chrissy Gregg, The Destruction of Monte Cassino, The National WWII Museum, 2021. — nationalww2museum.org
  9. Fourth battle of Cassino, 11-18 May 1944 (Operation Diadem) — History of War. — historyofwar.org
  10. Battle of Monte Cassino — Wikipédia em inglês. — en.wikipedia.org
  11. Operation Diadem — Wikipédia em inglês. — en.wikipedia.org

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